Na discussão em torno dos números do turismo na Terceira havia uma afirmação que funcionava como um dogma em que todos acreditávamos, que era, mais palavra menos palavra: "Agosto é agosto e está vendido por natureza".
Este dogma, durante anos, colocou o debate político no âmbito da necessidade de reforçar a captação de fluxos na época baixa, pois agosto e a época alta estariam automaticamente vendidos.
Com a Região em polvorosa desde o início do ano devido às quebras do turismo, o tema, ao nível da ilha, foi encoberto nos primeiros meses pelas centenas de americanos que desembarcaram diretamente nos quartos dos hotéis.
Mas, passado o mês de agosto, não há americanos que cheguem para esconder os números.
Os dados mais recentes do SREA demonstram que agosto, afinal, já não é agosto e, com os dados de agosto, chegou o desgosto: foram menos 1.418 hóspedes, que significaram menos 5.513 dormidas, sendo certo que estes números estão ainda bastante inflacionados pelos hóspedes de natureza militar.
Com o desgosto, até quem, sendo representante dos empresários, desvalorizava a saída da Ryanair já teve de vir a público comer o chapéu, apontando a falta de concorrência como um entrave à vinda de turistas do mercado nacional, concorrência que era assegurada precisamente pela presença da companhia low-cost.
Aparentemente, o desgosto ainda não foi suficiente para que o representante de todos os açorianos, José Manuel Bolieiro, venha igualmente a público comer o seu chapéu por ter desvalorizado a saída da Ryanair.
Talvez Bolieiro continue a adiar o momento de comer o chapéu, esperando que os números lhe facilitem a digestão. Mas, quando até agosto, vendido por natureza, falha, já não há americanos que escondam o problema.
Este ano, agosto foi desgosto.